De novo… colidiremos com o iceberg dos fatos
Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro*
Permitam-me começar com um alerta. Não um alerta alarmista, mas um alerta necessário:
O Brasil navega hoje em águas perigosas — e muitos fingem não ver o iceberg e o tsunami no horizonte.
A trajetória é identica à traçada na década passada, sob o mesmo governo petista… e o desastre está logo à frente, como antes.
A tripulação é similar, o comandante é o mesmo (sem a imediato – hoje causando outro desastre no oriente), e os passageiros… são os sobreviventes do último naufrágio.
A grande tragédia desse roteiro é a absoluta falta de memória. Enfim… vamos aos fatos atuais.
A grande lorota
Nos últimos dias, assim que o IBGE divulgou a alta de 0,33% no IPCA de janeiro, com 4,44% acumulados em 12 meses, a imprensa mainstream correu para repetir a mesma narrativa de sempre: “a inflação subiu porque os combustíveis ficaram mais caros nos postos”.
Mas essa explicação, repetida como um mantra, veste a realidade como um biquini: esconde o essencial e mostra apenas o sugestivo…
Os combustíveis não subiram por força do mercado.
Subiram porque os governos estaduais aumentaram o ICMS no início de 2026.
Ou seja:
o IPCA subiu porque os combustíveis subiram;
os combustíveis subiram porque o ICMS aumentou;
e o ICMS aumentou porque a federação está faminta por receita.
Essa é a verdade que não cabe nas manchetes.
A voracidade fiscal
Vivemos hoje sob um novo regime tributário que, em vez de simplificar, abriu espaço para uma voracidade fiscal ainda maior.
União, estados e municípios encontraram no novo modelo um terreno fértil para ampliar arrecadação sob o pretexto de “harmonização”.
E o resultado é sempre o mesmo:
- mais impostos,
- mais preços altos,
- mais inflação,
- mais sufoco para o cidadão.
É um ciclo que se retroalimenta. E quem paga a conta é sempre o mesmo passageiro: o povo brasileiro.
O IBGE como navegador: risco e manipulação
E aqui chegamos a um ponto sensível:
O IBGE, instituição que deveria ser o navegador da ponte de comando, o farol estatístico do país, tem sido percebido como parte integrante da narrativa governamental.
Mudanças metodológicas, classificações convenientes, ajustes silenciosos…
Tudo isso alimenta a sensação de que os números estão sendo calibrados para suavizar desgastes políticos.
E quando o órgão que mede a realidade perde credibilidade, o país perde o rumo.
Sem dados confiáveis, navegamos às cegas.
Os passageiros: um povo endividado e empobrecido
Enquanto isso, os passageiros deste navio — o povo brasileiro — enfrentam uma das piores perdas de poder de compra das últimas décadas.
Hoje:
- 79% das famílias estão endividadas,
- o desemprego real é muito maior do que o divulgado,
- e milhões de pessoas dependentes de programas assistenciais são classificadas como “ocupadas”, mascarando a verdadeira situação do mercado de trabalho.
A prosperidade que tentam vender é artificial.
A realidade é dura. E a estatística oficial, cada vez mais, parece um espelho embaçado.
O sonho da independência econômica está sendo destruído
Empreender no Brasil sempre foi difícil. Agora, tornou-se quase impossível.
Sem incentivos fiscais, sem crédito acessível, sem estabilidade regulatória, o sonho da independência econômica — conquistada pelo próprio esforço — está sendo destruído.
O resultado é devastador:
- desemprego estrutural,
- fuga de talentos,
- retração do investimento,
- Fuga de empreendedores para fora do país,
- e um número assustador de empresas fechando as portas.
Quando empreender vira um ato de resistência, algo está profundamente errado. Afinal, a base da economia está na atividade privada, nos pequenos e médios negócios, que empregam e geram maior volune de atividades e, também, formama grande base que suporta os grandes negócios também.
O Banco Central e a metáfora infeliz
E, em meio a tudo isso, ouvimos do presidente do Banco Central que “o Banco Central é um transatlântico, não um jet ski”.
A lembrança trágica do Titanic corre à mente de qualquer um que perceba o contexto.
E o Titanic afundou!
A metáfora se torna ainda mais inquietante diante da quebra bilionária do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi inexplicavelmente adiada e suspeitosamente judicializada…
Em momentos de crise, espera-se ação — não metáforas.
O tsunami da dívida pública
E enquanto discutimos narrativas, o verdadeiro tsunami se aproxima:
a dívida pública brasileira cresce em ritmo acelerado.
Arrecada-se mais. Gasta-se mais ainda.
A produtividade não cresce, e o país se endivida como nunca.
Se a onda derruba… o iceberg que surge no horizonte está cada vez mais perto: a crise sistêmica – descrédito, insegurança e descontrole.
Conclusão: o impacto é inevitável
Quando somamos:
- um regime tributário que incentiva aumento de carga,
- governos sedentos por arrecadação,
- um IBGE sob suspeita,
- uma autoridade monetária hesitante,
- uma população endividada e empobrecida,
- um ambiente hostil ao empreendedor,
- e uma dívida pública que cresce como um tsunami,
O resultado não é difícil de prever.
Não é pessimismo. É lucidez.
Um país não afunda de repente.
Ele afunda aos poucos — até que o inevitável aconteça.
Se nada mudar, corremos o risco de repetir a história do Titanic: um gigante que acreditava ser inafundável, até encontrar o iceberg previsível, que o comandante do barco fingiu não ver, enquanto sua tripulação distraía os pobres passageiros – ou seja, nós.
*Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista, consultor estratégico e ambiental, com serviços prestados e estudos publicados junto a organismos multilaterais como a ONU (Unicri e Pnud), Banco Mundial, IFC, Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional, governo brasileiro e grandes corporações. Sócio fundador do escritório Pinheiro Pedro Advogados e diretor da AICA – Agência de Inteligência Corporativa e Ambiental, é membro do Conselho Superior de Estudos Nacionais e Política da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Presidente da UNIÁGUA – Instituto Universidade da Água e Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa – API. É Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View.
Fonte: The Eagle View
Publicação Ambiente Legal, 15/02/2026
Edição: Ana Alves Alencar
As publicações não expressam necessariamente a opinião dessa revista, mas servem para informação e reflexão.










