O mundo mudou, Maduro caiu. — Só o governo Lula imagina uma “geopolítica progressista” inexistente.
Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro*
O ano começa com Maduro preso e o Irã implodindo. Ou seja, o mundo não está onde o regime brasileiro diz que está.
O governo Lula e sua máquina de comunicação insistem em vender a ideia que o “sul global” existe como um bloco independente e que os BRICS caminham para virar uma espécie de articulação política, comercial e militar independente, defensora do “sul global”.
A mídia engajada – com seus papagaios de realejo globalista travestidos de “analistas”, repete isso como se fosse fato consumado.
Entre análises fantasiosas, envolvendo termos como “sul global” e “coalização militar” do BRICS, os arquitetos do mundo lulopetista se perdem entre conceitos globalistas-progressistas e restolhos da narrativa “bolivariana”, para criar um “espaço de autonomia” para a fraca liderança diplomática brasileira.
Mas basta olhar para fora da bolha para perceber que essa história não fecha com a realidade.
Senão vejamos:
O Irã Está Implodindo
O Irã vive uma crise tão profunda que mal consegue se sustentar internamente.
Inflação alta, moeda derretida, protestos por toda parte, racionamento de água e até falta de comida.
O sistema teocrático está ruindo. Sua dura estrutura de segurança esfarela como as areias secas e salgadas do Lago Urmia. O desabastecimento se soma à destruição da infraestrutura.
No campo militar, o enfrentamento com Israel e a pressão norte americana causaram baixas preciosas na Guarda Revolucionária, destruição no complexo industrial bélico e sucateamento das estruturas de defesa aérea.
As fábricas de drones — antes orgulho do regime, sofreram danos e funcionam quando podem.
É difícil imaginar um país nesse estado liderando qualquer projeto militar internacional.
A Rússia Está Exausta
A Rússia continua presa ao desgaste da guerra na Ucrânia.
As perdas são enormes, os avanços são mínimos e o custo político da operação só aumenta.
Para piorar, a crise iraniana ameaça diretamente o abastecimento militar russo.
Moscou não tem fôlego para aventuras geopolíticas além da própria sobrevivência e, com certeza, na mesa de negociações com OTAN e EUA, a divisão de áreas de influência deve incluir o recuo russo na América Latina.

A China Joga o Jogo Dela
A China mantém o discurso de solidariedade com seus parceiros, mas age com pragmatismo absoluto.
Enquanto posa de aliada de Rússia e Irã, negocia com os Estados Unidos para estabilizar sua economia. E, como se não bastasse, ainda impõe tarifas pesadas ao Brasil.
O foco chinês é o projeto “Uma Rota, Uma Via”. O cinturão e o caminho da seda retrofitado.
Não há “irmandade BRICS” quando o assunto é dinheiro.
Taiwan Não É o Que Dizem
A tensão entre EUA e China por Taiwan existe, claro, mas está longe de ser o estopim de uma guerra iminente.
A China sabe que não pode se dar ao luxo de um conflito agora. Sua preocupação é assegurar o domínio do Mar da China, de forma a prevenir qualquer bloqueio naval que impeça seu abastecimento e exportações.
O que vemos hoje, nas manobras navais em torno da Ilha de Taiwan, é mais “coreografia diplomática” do que preparação real para um combate.
De toda forma, esse é mais um fator de fixação da força militar da potência oriental no Pacífico asiático, impedindo qualquer assunção de “engajamento” articulado com forças militares do Brasil, Venezuela ou, mais ainda improvável, com a Índia – colega de BRICS e rival no comércio regional.
Maduro caiu!
Os Estados Unidos apertaram o cerco e capturaram Maduro.
Após interceptações, sanções e bloqueios, a produção venezuelana cairá em mãos americanas. Redefinirá seus compromissos internacionais.
O bloqueio do óleo bruto afeta diretamente China, Rússia e Irã, que dependiam do petróleo traficado por Maduro, vendido a preço de banana e subfaturado via “frota fantasma”.
O “strike” americano funcionou… e dói muito!
Trump avança… e não tem pressa.
O Caribe Mudou de Dono
A presença militar americana no Caribe se consolidou, marcando a Base de Porto Rico como centro de operações na Região.
Com a queda de Maduro, o impacto negativo nas atividades do narcotráfico é evidente. Tropas especiais com bases do narcotráfico apontadas no mapa. O Cartel de los Soles será colapsado, seus barcos destruídos, apreensões serão constantes e afetarão significativamente estoques e carregamentos.
O controle marítimo está redesenhando o mapa da repressão ao crime organizado na região.
Colômbia Cuba e Nicarágua
Petro, o narco-governante colombiano, está politicamente enfraquecido. O fim do governo de esquerda está próximo – cairá inevitavelmente por decisão dos eleitores da Colômbia, em maio de 2026, ou por ação norte-americana, por decisão de Trump.
Cuba vive apagões intermináveis e pobreza generalizada. O governo ditatorial ali instalado procura forma de implementar uma abertura ao mercado e uma distensão do regime, visando uma transição que não implique na perda de privilégios para os burocratas comunistas. Porém, se houver um cerco americano, não irá contar com o aliado russo.
A Nicarágua segue isolada – mas o cronômetro já está ligado ..e o México já enfrenta enorme crise de legitimidade do seu governo proto-socialista, em meio a um colapso na segurança pública.
O arco bolivariano, na região, está em frangalhos — e isso tem impacto direto no discurso petista de “integração do Sul Global”.
O “Foro de São Paulo” ou “Grupo de Puebla”… está presyes a perder suas “chapas brancas”.
Os EUA Jogam Sozinhos
Os Estados Unidos reforçam sua presença militar onde interessa e mantêm distância das agendas globalistas europeias.
A estratégia é clara: apoiar o que importa e evitar armadilhas políticas. Nada de romantismo internacional.
A nova política de defesa americana desenha deforma clara um retrofit da Doutrina Monroe. Ou seja, o continente americano volta a ser zona de interesse geopolítico e estratégico para os norte-americanos – forçando o alinhamento ideológico dos Estados Nacionais na região.
O Cerco ao Terrorismo e ao Dinheiro Sujo
Operações contra grupos extremistas se intensificam.
Redes de financiamento ao tráfico de drogas e a estrutura de lavagem de dinheiro estão sendo desmontadas.
Na Europa, as salvaguardas financeiras estreitam ainda mais o caminho do dinheiro disconforme.
No campo do combate ao narco-terrorismo, até Portugal entrou no jogo, interceptando submarinos de cartéis e taxando-os de terroristas.
O objetivo é claro: cortar o oxigênio financeiro de regimes e grupos radicais na América Latina e África.
Nesse campo, o Brasil vê-se hoje cercado por países alinhados ao novo conceito operacional de segurança, que conjumina narcoterrorismo com regimes políticos “progressistas”.
O Brasil fora doTabuleiro
O Brasil não está no tabuleiro que Lula Imagina.
Falar em “força militar dos BRICS” é ignorar completamente o cenário real. O mundo está em crise e os aliados ideológicos do PT estão enfraquecidos.
Os EUA retomam sua influência geoestratégica no continente – e o fazem com a dissimulada anuência de Rússia e China.
A Europa recua na imposição do discurso Globalista-Progressista de Bruxelas… mesmo porquê os governos progressistas europeus estão em franca involução.
O Brasil, nesse contexto, não tem papel militar relevante no Caribe. No máximo, acolherá refugiados.
Lula e seus comandantes sabem disso. Sabem também que a guinada à direita na América Latina deixa o país exposto no radar estratégico dos EUA. Nesse contexto, o processo eleitoral de 2026 ocorrerá paripassu com o calendário eleitoral norte americano. Vale dizer, não há espaço para judicializações e manipulações “para salvar a democracia”. Haverá problemas caso o governo petista não “saia de boa”, se derrotado, nas próximas eleições.
2026, enfim, começa com fatos, não com fantasias. E os fatos estão aí para quem quiser ver.
*Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista, consultor estratégico e ambiental, com serviços prestados e estudos publicados junto a organismos multilaterais como a ONU (Unicri e Pnud), Banco Mundial, IFC, Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional, governo brasileiro e grandes corporações. Sócio fundador do escritório Pinheiro Pedro Advogados e diretor da AICA – Agência de Inteligência Corporativa e Ambiental, é membro do Conselho Superior de Estudos Nacionais e Política da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Presidente da UNIÁGUA – Instituto Universidade da Água e Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa – API. É Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View.
Fonte: The Eagle View
Publicação Ambiente Legal, 03/01/2026
Edição: Ana Alves Alencar
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