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PAREM DE DEBITAR AO AQUECIMENTO GLOBAL A CULPA SOBRE AS TRAGÉDIAS EM ÁREAS DE RISCO

by Portal Ambiente Legal
5 de março de 2026
in Clima e Energia, Destaque, Geral, Justiça e Política
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PAREM DE DEBITAR AO AQUECIMENTO GLOBAL A CULPA SOBRE AS TRAGÉDIAS EM ÁREAS DE RISCO

Visão aérea mostra imóveis atingidos por deslizamento no bairro Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora: prefeitura da cidade decretou calamidade pública em virtude da tragédia — Foto: Pablo Porciúncula/AFP

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Por Geol. Álvaro Rodrigues dos Santos*

A década de 2020 sepulta definitivamente as honestas, e também as não muito honestas, dúvidas que ainda subsistiam sobre a veracidade e consistência científica das teses e informações apontadas pelo IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, organismo vinculado à Organização Meteorológica Mundial ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). É fato, observa-se nas últimas décadas uma comprovada persistência de aumento das temperaturas globais e é certo que a atividade humana no planeta inclui-se entre suas causas. Se ainda não sentidas, as consequências para a Humanidade desse fenômeno climático podem vir a ser, em um futuro não muito distante, catastróficas.

Bem, até esse ponto o problema está colocado, agora vamos aos fatos a ele associados.

Nenhum de nossos conhecidos problemas de ordem geológica, hidrológica, climática ou ambiental (ou de alguma forma relacionados a questões ambientais) graves e crônicos, como áreas de risco a deslizamentos em encostas, margens de cursos d’água e orlas litorâneas, poluição atmosférica, poluição de águas superficiais e subterrâneas, contaminação de solos, enchentes urbanas, , perda e empobrecimento agronômico de solos agricultáveis, depauperação de corpos florestais ativos, crises hídricas, binômio erosão/assoreamento, degradação de mananciais de boa água, depleção do lençol freático, deficiências de saneamento básico, etc., tem no aquecimento global qualquer tipo de origem causal. Foram e são problemas de enorme gravidade, capazes de, per si, sufocar econômica, social e ambientalmente o desenvolvimento brasileiro e a qualidade de vida de sua população, especialmente de sua população de mais baixa renda. Problemas que foram inteiramente gerados por nós mesmos, por nossa estupidez e irresponsabilidade, pela ganância financeira que nos é inculcada como valor social supremo, ou seja, problemas já muito antigos sem nenhuma vinculação a fatores outros como o efeito estufa e outros fenômenos de ordem planetária.

Perde o encanto e a decência, portanto, a atual cantilena de nossos administradores públicos que, marotamente, procurando aliviar-se de suas responsabilidades, lançam agora às costas das mudanças climáticas globais a responsabilidade sobre esses terríveis problemas brasileiros, que nunca foram, por irresponsabilidade, por incompetência e por total falta de respeito humano ao cidadão comum, devidamente enfrentados, prevenidos ou mitigados pelas mais variadas instâncias dos poderes público e privado.

Enfim, o meio técnico e científico brasileiro, em seu empenho com a mitigação do aquecimento global, não pode colaborar para sugerir ou permitir que esse fenômeno venha a ser levianamente utilizado como o bode expiatório dos graves e crônicos problemas que desde há muito tem castigado a sociedade brasileira, o que poderia levar ao enganoso entendimento de que sua superação se coloque como indispensável para a solução dos problemas referidos. Não, tanto hoje como no passado as soluções, insistentemente oferecidas pelo meio técnico nacional, sempre estiveram disponíveis para que fossem devidamente implementadas. O que nos faltou para tanto foi decisão política para priorizá-las e executá-las.

*Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br) – Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas,; Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para elaboração e uso da Carta Geotécnica”, “Cidades e Geologia”  Consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia.

Fonte: O autor
Publicação Ambiente Legal, 05/03/2026
Edição: Ana Alves Alencar

As publicações não expressam necessariamente a opinião dessa revista, mas servem para informação e reflexão.

Tags: áreas de riscochuvas de verãodeslizamento de terramudanças climáticasproblemas geológicos
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