A dança das togas para empastelar os fatos à luz do dia
Solum stulti aut qui consulto caeci sunt lacrimis scelestorum credunt
(Apenas tolos ou cegos deliberados creem nas lágrimas dos ímpios)
Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro*
Como afirmei no meu último artigo, no Blog The Eagle View*:
“O relatório da Polícia Federal extraído desse caso e entregue ao Ministro Relator do inquérito do Banco Master, revelou conversas explícitas de Vorcaro com outro Magistrado do STF, com o Procurador da República, pedidos de intervenção aludindo à figura do Diretor Geral da PF e do Presidente do BC, conversas sobre prazos de operações, além de repasses milionários disfarçados de honorários advocatícios para familiares de magistrados da Suprema Corte. (…)
As gravíssimas suspeitas que recaem sobre o comportamento dos chefes da PGR e da Polícia Federal, geram quadro de risco institucional para o país e de risco pessoal para o próprio Vorcaro – preso sob custódia de envolvidos no seu caso.”
Assim, nesse contexto de autofagia institucional, devemos separar as coisas de forma clara.
O cenário atual expõe uma divisão nítida entre quem, no STF, exerce legítima jurisdição legal e quem, de fato, protagoniza mera reação política, ilegal.De um lado, quem judica no exercício de sua jurisdição é o ministro André Mendonça.
Mendonça, relator legítimo do inquérito do Banco Master, competentemente avaliou e determinou o afastamento da cúpula da PF, exercendo tutela de urgência, submetido imediata e regularmente ao plenário de sua turma julgadora, o procedimento.
Mendonça agiu fundamentado na necessidade de estancar crimes graves, como o stalking explícito aos magistrados e ao AGU — visando constrangê-los no curso do inquérito —, havendo, ainda, evidências de tortura e risco de vida para o próprio investigado e preso preventivamente Daniel Vorcaro.
Dentro das normas e sob revisão do plenário, Mendonça visou garantir a higidez da atividade judiciária e a viabilidade de uma série de delações em curso, que atingem o topo do próprio Judiciário, da PGR e da Polícia Federal.
Do outro lado, o governo e o arranjo de mútua blindagem institucional envolvendo líderes, parlamentares, funcionários públicos e até ministros supremos engendrados nas farpas do imbróglio.
As tentativas desesperadas de travar os procedimentos de investigação seriam descritas por Freud como “sintomáticas”: o uso irregular do Inquérito do Fim do Mundo para intrujar expediente anômalo por Alexandre de Moraes; o pedido suspeito do Procurador-Geral da República — expressamente citado no Relatório da Polícia Federal — para anular o requerimento de análise dos fatos pelo Plenário; a inconformidade do Chefe da Polícia Federal — igualmente envolvido no mesmo caso — para não ser avaliado no inquérito; e a agressiva canetada do Ministro Flávio Dino, atropelando a competência de Mendonça para reintegrar a cúpula afastada sob o pretexto de que o colega agira em “causa própria”.
Diante desse descalabro, a reação da cúpula do tribunal apenas escancara o tamanho da fratura. A decisão do Presidente da Corte, Edson Fachin, de avocar para si o Inquérito das Fake News, ao mesmo tempo em que anula as medidas concorrentes de Mendonça e Dino, inaugura uma ostensiva “Guerra de Relatorias e Narrativas”. Essa movimentação centralizadora e a iminente dança das cadeiras na condução dos processos funcionam, na prática, para empastelar a ocorrência dos fatos sob o manto de uma aparente pacificação institucional.
Trata-se do óbvio ululante nelsonrodriguiano: todos esses expedientes possuem caráter puramente político e operam de forma evidente para postergar as apurações e proteger envolvidos.
Simples assim.

Conclusão
O lado podre da pior judicatura da história do Brasil abraça o consórcio de mútuos interesses formado com os ocupantes dos demais poderes, para lidar com a crise que literalmente excretaram. Levam o regime para o fundo da fossa séptica em que todos parecem já se encontrar.
Fachin, Lula, Alcolumbre e Hugo Mota expressam a baixa qualidade que contaminou os poderes da República que dirigem, e não parecem estar de forma alguma à altura do conflito que agora protagonizam.
Todos seguirão solertes para a latrina da história e, ao que parece, a descarga já foi acionada.
* O Colapso do Regime Lula-STF, in https://www.theeagleview.com.br/2026/09/o-colapso-do-regime-lula-stf.html
*Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor estratégico e ambiental. Sócio fundador do escritório Pinheiro Pedro Advogados, é diretor da AICA – Agência de Inteligência Corporativa e Ambiental. É Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo Blog Analítico The Eagle View.
Fonte: The Eagle View
Publicação Ambiente Legal,10/09/2026
Edição: Ana Alves Alencar
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