UMA HISTÓRIA MAL CONTADA E ARQUITETADA CONTRA O COMANDANTE GERAL DA PM PAULISTA
Por Antonio Ferreira Pinto
Vejo com muita indignação a forma com que a honra do Ex-Comandante Geral da Polícia Militar, JOSÉ AUGUSTO COUTINHO é denegrida com artimanhas levianas e predatórias.
Ocupei a Pasta da Segurança Pública por quase 04 anos e antes a Secretaria da Administração Penitenciária por 03 anos, no período mais agudo do sistema prisional.
Também abordo o tema como integrante do Ministério Público por 33 anos.
Não posso silenciar ante tantas incoerências que alimentam o noticiário sobre a demissão do Comandante Geral, com quem não tenho qualquer laço de amizade.
Como entender que o Promotor Lincoln Gakya tenha levado apenas informalmente em 30 de novembro de 2021 ao Coronel Coutinho prova de que houve vazamento para o PCC de reunião sigilosa por alguém de um grupo de 08 integrantes da Rota e só agora, decorridos mais de 4 (quatro) anos, o caso venha à tona?
Promotor de Justiça Criminal sempre requisita inquérito policial quando indícios de crimes chegam à Promotoria de Justiça.
Esse é um dever de ofício.
Promotor não age oficiosamente, não se presta a confidências.
Obedece aos princípios da Oficialidade, Obrigatoriedade e Indisponibilidade
Como entender que em entrevista a jornal de grande circulação, o Promotor confirme que tinha em seu poder a gravação de um depoimento de integrante da facção, exibiu-a ao Coronel e depois de 04 anos conclua: “Não tenho conhecimento de quais providências foram tomadas a respeito do assunto pelo Coutinho”.
As aspas são da reportagem
Causa perplexidade que tema gravíssimo, de suposto envolvimento de integrantes da Rota com o PCC, tenha ficado tanto tempo sem apuração, com suposta passividade do órgão acusatório.
Como entender que o Promotor de Justiça de larga experiência, com quem trabalhei por muitos anos e sempre admirei, citado no “Wall Street Journal” (edição de 20.04.2026) como principal referência ao combate do PCC no Brasil, não tenha se utilizado de comunicação oficial ao então Secretário da Segurança Pública, ou ao Comando Geral, ou ao Centro Integrado de Inteligência da PM ou à Corregedoria da PM?
Afinal era o Promotor e não o Coronel, que tinha em mãos um acervo probatório com delação, confissão de presidiário e gravações e a Corporação, por esses órgãos já citados necessitava desse material para pronta intervenção.
Como entender que sendo o titular da ação penal, o festejado Promotor muito mais tarde figure como mera testemunha de um tardio inquérito policial e confirme não saber quais providências foram adotadas?
Forçoso reconhecer que seu trabalho de prestígio internacional contrasta com essa suposta inércia.
A conta não fecha.
Como entender que o peso de seu depoimento, como se alardeia, tenha o condão de provocar, muitos anos depois, a demissão de um Comandante Geral se a própria postura do Promotor, no aspecto funcional, seria questionável?
A história está mal contada e, pelo que depreendo, estão jogando todo o fardo nas costas do Promotor Gakya.
O Promotor falou? Está falado! Destitua-se o Comandante Geral!!!
Não é bem assim!!! Faço minhas as palavras do ilustre Promotor no programa Ponto de Vista da Veja: “Não se abandona o combate ao crime organizado. Não se abandona a sociedade. Não se abandona o dever”.
Infelizmente o dever funcional, inerente ao Ministério Público, se não foi abandonado, foi postergado, repito, por 04 anos, a vingar a versão que tem origem na própria Corporação.
Não há como fugir desta constatação.
Ao que tudo indica o interminável “inquérito das fakenews” do nosso (?) STF está servindo de inspiração para se obter resultados de acordo com os princípios da conveniência e oportunidade, o que é vedado em matéria penal.
A política, sempre envolta no “politicamente correto”, obrigou a alta administração afirmar que a mudança foi rotineira e nada há contra o Coronel Coutinho.
Concordo que não há nada contra o Cel. Coutinho, mas há uma honra a ser restaurada e para isso há necessidade, pelo princípio da transparência, da averiguação da conduta de 2 (dois) Coronéis que teriam atuado para a desvirtuada narrativa chegar à imprensa e desta se valer para tentar obter propósitos pessoais.
Felizmente o tiro saiu pela culatra: não conseguiram a pretensão abjeta , ante a justa e merecida nomeação da Cel. Glauce para ocupar o posto.
Escolha feliz que, tenho certeza, muito há de honrar a Corporação.
Quem ostenta o galardão de defensor da sociedade não pode se deixar manipular por interesses inconfessáveis.
Continuo a acreditar nas Instituições, apesar dos quatro anos perdidos.
Antonio Ferreira Pinto é Procurador de Justiça aposentado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Foi Promotor de Justiça na Justiça Militar do Estado de São Paulo, Coordenador do Sistema Prisional e Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo. É também Oficial da Reserva da Polícia Militar do Estado. Administrou a segurança pública e a política prisional paulista nos momentos mais críticos, quando o governo foi obrigado a administrar graves crises e combater com dureza a complexa organização criminosa do PCC – Primeiro Comando da Capital, expressão mais aguda do crime organizado no Brasil.
Fonte: The Eagle View
Publicação Ambiente Legal, 28/04/2026
Edição: Ana Alves Alencar
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