UM AMOR NA TERRA ARDENTE

Publicado em Ambiente Livre*

Poemas de Ana Alencar

Ilustrações de Ethel Muniz

 

Dessin à mine 0'7mm © by ETHEL MUNIZ - MMXIV - Atelier Bordeaux

Dessin à mine 0’7mm © by ETHEL MUNIZ – MMXIV – Atelier Bordeaux

 

Da minha origem nordestina
trago sempre na memória
do meu pai e suas lembranças
uma emocionante história

De um homem e sua mulher
e sua arretada trajetória
pelas terras de um sertão de dor
bandidos de uma vida inglória

Tanto fizeram e aconteceram
vida de perdas e vitórias
na causticante caatinga
fizeram do cangaço sua glória

Aos heróis de um povo sofrido
ofereço essa minha oratória
com meu sangue nordestino
assino essa dedicatória

HISTÓRIA DA TERRA ARDENTE

E Lampião encontrou Maria
Nunca houve covardia
Nesse amor que arrepia
Fez da noite travessia
Pra peleja de todo dia

Dessin à mine 0'7mm © by ETHEL MUNIZ - MMXIV - Atelier Bordeaux

Dessin à mine 0’7mm © by ETHEL MUNIZ – MMXIV – Atelier Bordeaux

E Maria amou Lampião
Nunca houve hesitação
Nessa agreste paixão
Que arde e queima o chão
Sob o luar do sertão

Bonita era ela
Corajoso ele era
pelejando pela terra
Nenhum dos dois se desespera
Vivem e morrem sua guerra

Heróis ou bandidos
Muito se diz pouco é sabido
Desse romance nunca findo
O verdadeiro amor sentido
Entre Maria e seu Virgulino

 

 

 

 

 

 

DE MARIA PRA SEU LAMPIÃO

Andando por este agreste
numa seca que dá dó
o nosso amor cangaceiro
encharcou a terra silvestre
Quando teus olhos botaram nos meus
como sol ardente me aqueceu

Feito mandacaru resistente
meus espinhos de ti
não me protegeram
abriu-se minha flor ao teu toque

Dessin à mine 0'7mm © by ETHEL MUNIZ - MMXIV - Atelier Bordeaux

Dessin à mine 0’7mm © by ETHEL MUNIZ – MMXIV – Atelier Bordeaux

sob a lua na noite quente
éramos dois cabras da peste
cavalgando em terra ardente

Coragem não nos faltava
era faca entre nossos dentes
a cada caminho seguido
nada impedia o nosso amor
nem a morte iminente
tua força junto a minha
nossos corpos fez-se um só
como mandacarus da caatinga
que dá vida à terra o pó

Nosso fogo era mais quente
que o sol que nos castigava
nada detinha nossa sina
nosso amar não nos fadigava
meu Virgulino me dava vida
no seio da terra sofrida
em meus seios eram teus beijos
curando nossas feridas

Foste meu homem e meu cabra
e eu das Marias a mais bonita
por Lampião iluminada
Num dia de dor e escuridão
derramou-se nosso sangue no chão
pra sempre vivo na história
o nosso amor irrigou o sertão

 

 

 

AnaAlencarAna Alencar, poeta e pedagoga, é professora da rede municipal de ensino básico de São Paulo, colaboradora do Portal Ambiente Legal

 

ethelEthel Muniz, artista plástico e intérprete performático radicado no eixo Berlin-Paris, é fundador do NOITARUGIF MOVEMENT.

 

 

 

 

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2 Comentários para “UM AMOR NA TERRA ARDENTE”

  1. Ethel Muniz
    comentou em 13 de julho de 2014 às 5:41

    Ana Alencar , sinto-me honrado de pertencer em desenho com a minha Maria e meu Lampião esse cantar dôce e amoroso que SOL a alma nordestina nossa pode entender… Obrigado poetisa, você é muito Maria !!!!
    Beijos Lampiãonados desse seu Virgulino fantasiado !!!

    • Ana Alencar
      comentou em 15 de julho de 2014 às 0:24

      Eu que agradeço seu carinho e sua arte complementando meu e nosso canto nordestino, Ethel muito mais que querido!
      Beijos caatingueiros!!!

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