BRASIL – TERRA DE CORRUPÇÃO… E DE GENTE DE BEM

Publicado em Ambiente Livre Justiça e Política*

Uma reflexão necessária para quem estuda, trabalha e batalha…

 

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Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro

 

Os EUA classificaram o caso envolvendo empreiteiras e a operação lava-jato como o maior caso de corrupção da história.

Calcula-se, por baixo, que nos quatro últimos governos (FHC-LULA-LULA-DILMA) o Brasil tenha sido lesado no valor equivalente a um PIB. Centenas de bilhões de reais distribuídos para ratazanas de todo tipo, engordando ditaduras, bancos, políticos e empresários.

As ratazanas da república… Gente miserável, pobre, podre, sem nome, sem imagem, sem cultura, sem família, sem história. Como moscas em torno de excrementos, essa gente só se alimenta de dinheiro.

Desmascarados, se vitimizam ou se escondem sob a sombra das delações premiadas. quando não insistem no proselitismo sem sentido. Ratazanas doentes, pestilentas e tóxicas, “se agarram na ilusão de que fizeram o que fizeram para mudar o Brasil ou, delatando, ajudam a “refazer” o Brasil…

Não valem a nota suja de um real amassado na cueca…

Mas o Brasil não é feito pelos ratos. Eles, os ratos, corroem o que é produzido pelas pessoas de bem.

O Brasil é feito por gente que madruga, enfrenta fila, trabalha, educa e cria.

O Brasil se fez e se faz pela gente humilde, séria, que enfrenta corajosamente os insetos aboletados na burocracia insensível, que é destratada pelos maus funcionários que empesteiam repartições e infectam os balcões do serviço público, que, mesmo assim, com paciência e humildade, é atendida e consegue sobreviver. Gente que supera a violência urbana e o abandono e, apesar de tudo, crê, acredita, reza, forma filhos cristãos, bons cidadãos e pais de família.

A complexidade da vida, a sofisticação das atividades, parecem querer nos misturar a todos, mas não é o que ocorre.

Todos nós, de alguma forma, cruzamos com alguma ponta dessa enorme rede apodrecida e de corrupção, de burocratismo e de violência. Em algum momento muitos de nós convivemos com essa gente ordinária, iludida, tivemos que lidar com certas circunstâncias, sem que fossem estas as nossas.

Posso dar testemunho disso. Fui espectador engajado, parafraseando Raymond Aron. Afinal, trabalhei a vida toda na advocacia, com projetos estruturantes, questões penais, processos disciplinares e causas civis. Fui dirigente de entidades civis, organismos corporativos, atividades partidárias. Fiz política, atuei e atuo no jornalismo e na comunicação social.

Olhando para um passado próximo, admito que parte das ratazanas que integram o bolo da corrupção no Brasil, por força das obrigações, cruzou meu caminho. As sensações desses contatos, confesso, foram marcantes – responsáveis por mudanças sensíveis na minha conduta corporativa e social todos esses anos – principalmente no que tange ao desapego.

Há um somatório de experiências desagradáveis. Lembro de posturas, falas, caras, bocas, diálogos e arrogâncias. “Lições” de “como são as coisas”, ministradas por canalhas de obras feitas em reuniões, staff meeting e coquetéis. Reuniões “surpreendentes” com especialistas em “estruturas”, “corporate law” e “lobby”. Bobagens ditas como se fossem dogmas bíblicos em rodinhas sociais, eventos de organizações empresariais – geralmente lotadas de baba-ovos e bajuladores.

Me lembro também das discussões duras que mantive com bandidos de grife e idiotas iludidos com o poder – todos cheios de razão e vazios de alma e conteúdo. Paguei preços elevados por isso. Aprendi a ficar quieto, usar do silêncio quando a retorsão “gritava” para ser implementada… Afinal, havia espaço para coisas construtivas, e nesse espaço pude sobreviver com dignidade.

Com efeito, sempre existe aquele momento em que é preciso consultar profissionais dignos. Minha pequena consultoria geralmente entrava aí – quando a porta da frente se abria.

A dignidade é um bem maior, mas tem um preço: a invisibilidade social, imposta pelos medíocres e pelos que temem aqueles que dizem não.

Ainda assim, quando o blablablá usual falha, o “power point” não resolve e os amigos do amigo não consertam, e é preciso resgatar alguma nesga de credibilidade e coerência jurídico-institucional, surge a oportunidade de mercado para quem é sério.

Mas sempre há novos desafios.

Na disputa de espaço em um mercado de “coxinhas” e “companheiros” bajuladores, é impressionante como a mediocridade se renova. Agora, surgem os critérios de “compliance” – geralmente voltados para selecionar os de sempre. De onde nada se pode esperar, espere mais burocracia voltada para o mesmo. E a moda agora é a hipocrisia de formulário.

O compliance, no entanto tem uma missão dura pela frente, e isso forçará o instrumento à tornar-se eficaz. Deus sabe o volume de lixo que está subindo à superfície e ainda subirá, principalmente porque os Estados Unidos estão atentos ao fato – por força da legislação que lhes é própria – e isso reflete no Brasil.

Por outro lado, a conflituosidade judicial está a exigir estrategistas voltados para o bem.

O judiciário no Brasil é algo para ser debatido à parte. A começar pelo fim. A execução penal, no Brasil, todos sabemos, é outra piada. Basta ver como são as penas aplicadas e cumpridas na mais icônica operação de limpeza em curso no país.

A Lava-Jato foi uma operação que “deu azar”… Caiu com um juiz federal que teve e tem a petulância de cumprir com seus deveres funcionais. Isso acabou expondo as feridas para muito além do desejado nas hostes judiciárias. Lava-Jatos fora, muito lixo ainda remanesce, contaminando padarias jurídicas, gabinetes públicos, prédios suntuosos de grandes empresas, bancos, etc.

Por essas e outras, é hora de tirar alguns minutos, ou horas, para uma reflexão.

Neste período de muitas mudanças, quero fazer um convite às pessoas normais, que educam bem seus filhos, que empregam outros chefes de família, que lutam para pagar as contas, que se sacrificam para manter o nome limpo e não se vergam às facilidades da corrupção barata. Quero que parem e reflitam.

É preciso buscar a renovação todos os dias. Assim acordamos mais leves, mais determinados e mais confiantes.

Devemos confiar! Não nos “messias” e “salvadores da pátria” que sempre se nos apresentam, mas… confiar em nós próprios, cientes do que somos e de nossa formação familiar.

Precisamos, sobretudo, de dar exemplo. É o exemplo que forma nossos filhos.

Isso nos dará esperança de um Brasil melhor.

 

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Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Sócio diretor do escritório Pinheiro Pedro Advogados, integra o Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional. Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB, membro das Comissões de Infraestrutura e Sustentabilidade e Política Criminal e Penitenciária da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo (OAB/SP). É Vice-Presidente e Diretor Jurídico da API – Associação Paulista de Imprensa. Editor do Portal Ambiente Legal e do blog The Eagle View.

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3 Comentários para “BRASIL – TERRA DE CORRUPÇÃO… E DE GENTE DE BEM”

  1. Gerson Tadeu Conti
    comentou em 26 de dezembro de 2016 às 22:22

    Só o fato de não incluir o período da Ditadura, já demonstra claramente de quem se trata e da credibilidade que merece, portanto, suma-se.

    • Paula Benatti
      comentou em 27 de dezembro de 2016 às 14:45

      O senhor Gerson está certo. Devia ter citado o Estado Novo, o Brasil-colônia, a idade média, roma antiga e até o Gênesis, para assim diluir na história o episódio da corrupção contemporânea relatado no excelente artigo.
      Na verdade, o tema incomoda…
      Parabéns ao Pinheiro Pedro pela coragem da reflexão.
      :)

  2. comentou em 4 de janeiro de 2017 às 9:01

    Bom dia.
    Como sempre, texto reflexivo. Fiquei cá a pensar como foi bom ter saído quando oportunidade tive.
    Desejo que nosso país de fato acorde.

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